quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Filhos: Ótimas Desculpas Para Comprar Coisas Infantis



Há tempos, eu namorava um pequeno livro infantil. Passava pela livraria e ele estava lá, me encarando. Por diversas vezes o peguei, folheei e me diverti com suas imagens em movimento. Algumas poucas vezes o levei até a proximidade do caixa, mas sempre o descartava. Não era mais um livro para mim. Eu não pertencia mais à classe digna de possui-lo. Eu não era mais uma criança.

O tempo seguia adiante e eu o esquecia. Entretanto, bastava uma nova visita a uma livraria, em busca de outra coisa qualquer, e ele se mostrava mais uma vez. Discreto, sempre jogado num canto, bobo e simples como só ele poderia ser.

Algumas vezes eu resistia à tentação de pegá-lo. Na maioria, eu sucumbia ao seu singelo encanto e mergulhava naquilo que me remetia a uma época maravilhosa de inocência e imaginação.  Há muito tempo atrás,  em uma galáxia muito, muito distante.


Foi quando a oportunidade bateu à porta. Finalmente teria um filho. Alguém para tutorar nas maravilhas do mundo.

Se ele gostará das mesmas coisas que eu, só o tempo dirá. No entanto, eu tenho a desculpa perfeita para comprar aquele livro. Ele não seria pra mim e sim para meu rebento. Agarrei a chance e o comprei. Ele estará enfeitando o seu quarto e poderei me perder em suas imagens sempre que quiser. E meu filho estará comigo, se acostumando com as fantasias que tanto encantaram seu pai, até que ele tenha idade suficiente para assistir, junto ao seu velho, a incrível saga Star Wars!

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Por Que Não Posso Dar Um Fogão De Brinquedo Para Meu Filho?



Se tem uma coisa que me diverte é cozinhar. Misturar os ingredientes, achar o tempero perfeito para cada comida, descobrir a lógica da construção de cada refeição e mudar receitas aprendidas ao meu bel prazer, "criando" pratos novos e adaptando antigos.

Não,  não sou chef de cozinha. Apenas um cirurgião dentista que assistiu muitos vídeos de receitas no Youtube e resolveu aprender a cozinhar para "agarrar" a esposa pelo estômago.

Na minha família, os homens se viram bem nessa arte. Meu pai cozinha muito bem e é referência quando o assunto é comida gostosa, mesmo que não seja tão saudável.

Meus primos também curtem a brincadeira de cozinhar e, volta e meia, fazemos um "encontro gourmet".

Eu demorei de entrar nesse mundo. Gostaria de ter aprendido antes. Dependeria menos do miojo nos tempos de estudante. E pretendo ensinar meu filho a cozinhar assim que ele tiver capacidade para tal.

Um dia, estava passeando por uma loja de departamentos e vi um fogão de brinquedo. Na rósea caixa, duas garotas sorridentes cozinhavam algo imaginário. O fogão também era rosa. Eu nunca vi um fogão rosa na vida. Talvez até exista e eu não saiba. Enfim, ficou claro que o público alvo da empresa que fez aquele brinquedo são as meninas.

 


Foi quando pensei em toda essa bobagem de separação que se faz entre brincadeira de menina e de menino. Carrinhos são para meninos. Mulheres não dirigem? A minha dirige melhor do que eu. Quando vemos carrinhos para meninas eles são cheios de frufrus e rosa até doer a alma. Por que um pai não pode dar uma Ferrari em miniatura para a filha? Tenho certeza de que uma mulher adulta, quando aprende a dirigir, não vai querer uma réplica do carro da Barbie.

Não quero que meu filho cresça pensando que lugar de mulher é na cozinha.  Pra mim, mulheres são péssimas na cozinha. Minha mãe é uma péssima cozinheira. Cozinha é lugar de macho!

Sendo assim, um dos brinquedos que meu filho vai ter é um fogão.  Afinal, ele vai ver o pai dele se divertindo na cozinha, como eu vejo meu pai até hoje. Por que não colocar o moleque na brincadeira também?

domingo, 20 de setembro de 2015

Como Evitar Afogamento por Leite Materno em Bebês


Ritos de Passagem: O Filho se Torna o Pai



Estava lendo um livro de Nietzsche e, em um de textos, ele fala sobre como, em muitos momentos da vida, nós passamos por mudanças drásticas, que alteram tanto o seu modo de enxergar o mundo como a visão que as outras pessoas têm de você.

São os "ritos de passagem".

Analisando a nossa vida, podemos identificar vários ritos de passagem. Às vezes coisas bobas, como sair da alfabetização e passar para o primário, têm um efeito de rito para a criança.

Eventos religiosos, como Crisma para católicos, Bar Mitzvah para judeus ou o casamento em diversas religiões, também podem entrar nessa categoria.

Sinto que estou passando por um desses ritos de passagem. Ele se iniciou no dia em que descobri a gravidez da minha esposa e imagino que se conclua após o nascimento do meu filho.

É um rito lento e, talvez, um dos mais importantes. Vou deixando de ser apenas um homem e me tornando um pai.

Vou deixar de ser apenas o filho de Antônio para ser o pai de Rafael.

Ganhei mais uma data comemorativa no ano: o dia dos pais!

Tanto eu estou mudando como percebo que as outras pessoas me olham diferente.

Eu sou aquele tipo de pessoa que não interage muito com vizinhos. Mantenho-me na boa educação desejando "bom dia", quando passo  por um. E fica nisso. De uma hora pra outra, os vizinhos começaram a bater papo comigo no elevador. "É você que vai ser pai, né? É menino ou menina?".

Quando eu pedia uma pizza e subia pelo elevador, ninguém nunca me perguntava o sabor ou onde eu tinha comprado, mas basta levar coisas de criança,  tipo um carrinho de bebê ou almofadas do enxoval, que todo mundo vira seu amigo e te dá opiniões, mesmo naqueles segundos que duram a viagem até o meu andar.

Provavelmente terei que ser mais sociável e participar das festinhas do prédio.

É,  Rafael... Você veio pra agitar nossa vida! E estamos muito felizes em sair da zona de conforto em que estávamos.  Estou extremamente feliz em entrar pro time dos pais!